Monday, February 26, 2007

Exercício em duplas

Bem, amigos...

Já entendemos o funcionamento de um blog, bem como as implicações dessa nova e, por que não dizer, revolucionária maneira de se comunicar. Agora, vamos dar uma mergulhada nos conceitos e nas aplicações do hipertexto, um dos principais fundamentos do webjornalismo, e, em seguida, fazer um bom exercício, EM DUPLAS E VALENDO 30 PONTOS, sobre o assunto.

Para começar, gostaria muito que visitassem este endereço aqui, no qual poderemos obter noções básicas sobre o hipertexto.

Em seguida, peço que prestem bastante atenção às cinco categorias hipertextuais abaixo, descritas pelo professor norte-americano Georde Landow - e que reúnem algumas das principais características do webjornalismo -, e ao texto sobre classificação de links, de Luciana Mielniczuk, logo na seqüência:


CATEGORIAS HIPERTEXTUAIS

Descentralização: permite ao usuário criar o centro ou ponto de partida do foco de seu interesse, a medida que navega e vai mudando o núcleo de ênfase da sua intenção/ atenção em relação ao que precisa e deseja. É a multilinearidade, o leitor pode partir de qualquer lugar, escolhendo de onde para onde deve ser sua leitura.

Multivocalidade: É a possibilidade de um texto não ser elaborado por apenas uma pessoa, mas da complementaridade do trabalho de várias pessoas em função de um ou vários assuntos correlatos. Essa característica é bastante importante pois é o pressuposto para o jornalismo interpretativo (permite ao leitor através de várias versões, a possibilidade de tirar suas próprias conclusões acerca do fato).

Intratextualidade: Quando um texto se complementa com outro dentro de um mesmo site, criando uma continuidade informativa através de diferentes textos porém de uma mesma temática.

Intertextualidade: Essa característica permite um texto se complementar com outro que esteja em outro site de mesma temática. É a informação ilimitada por meio de links e toques no mouse.

Navegabilidade: São as várias possibilidades de utilização de recursos que facilitem a navegação e localização dos usuários dentro do site. Aqui entra a função do web design, responsável por facilitar essa navegação.

Interatividade: É necessário que o site propicie uma "conversa" entre o computador e o usuário durante a navegação. Deve-se permitir que todos os envolvidos na interação sejam agentes e participem ativamente na construção do produto final, sendo possível interferir em seu conteúdo.

Agora, vamos falar um pouco na...

CLASSIFICAÇÃO DE LINKS

O texto abaixo apresenta uma proposta de classificação dos links usados em webjornalismo, baseada no capítulo 4 da tese de doutorado de Luciana Mielniczuk (Jornalismo na web: uma construção para o estudo do formato na escrita hipertextual), defendida na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em março de 2003.

A autora classifica os links quanto:

- ao tipo de "navegação" produzida;
- ao universo de abrangência do link (para onde remete o leitor);
- ao tipo de informação oferecida através do link.


Nesta última classe há uma subdivisão dos links que pertencem à narrativa do fato jornalístico, ou melhor, os links que fazem parte da notícia” (Mielniczuk, 2003).

a) Quanto ao recurso de navegação:

- Conjuntivo: remete para outra lexia (bloco de texto), mas a janela no programa navegador permanece a mesma; muda só o conteúdo que aparece na tela.

- Disjuntivo: ao remeter para outra lexia, abre-se uma janela menor ou mesmo outra janela no programa navegador. Proporciona a experiência de simultaneidade: duas janelas abertas ao mesmo tempo. Geralmente é empregado em duas situações: na utilização de vídeos ou quando trata-se de um link externo.

b) Quanto ao universo de abrangência:

Alguns autores, entre eles Landow (1995), Leão (2001), Paul & Fiebich (2002), classificam os links em:

- Intratextuais: ou links internos, remetem para lexias dentro do próprio site.

- Intertextuais: remetem para lexias externas ao site; também são denominados de links externos.

c) Quanto ao tipo de informação:

- Editorial: pertence ao conteúdo informativo do site. Podem ter a função de organizar o webjornal (organizativos), como são os links que indicam as editorias, ou integrar a narrativa do fato jornalístico (narrativos).

- Serviços: remete a serviços oferecidos pelo webjornal. É interessante observar que estes links podem ser tanto internos quanto externos e que, em geral, referem-se a três tipos de serviços:



a) produzidos e oferecidos pela publicação - ou pelo portal ao qual ela está atrelada - tais como previsão do tempo, cotação de moedas estrangeiras, bolsa de valores, classificados;

b) o serviço pode ser oferecido por outra empresa e o webjornal apenas oferece o link que vai remeter para outro site;

c) na falta de uma nomenclatura melhor, incluímos aqui também os serviços de fórum e chats oferecidos pelo webjornal e focados para assuntos editoriais da publicação.

- Publicitário: remete à publicidade que tanto pode ser externa, de empresas anunciantes, como também pode referir-se a outros produtos do mesmo grupo empresarial, sendo considerado, então, um link interno.

Obs: Os links Editoriais, quando narrativos, podem ainda estar divididos nas seguintes subcategorias, que se referem ao:

- Acontecimento: diz respeito aos principais acontecimentos do fato noticiado.
- Detalhamento: apresenta detalhes sobre o acontecimento, podem ser dados depoimentos, explicações de especialistas.
- Oposição: quando for o caso, apresenta argumentos de entrevistados ou mesmo dados que contestem informações de fontes oficiais ou fontes primárias ouvidas.
- Exemplificação ou particularização: ilustra ou explica o acontecimento com exemplos ou casos particulares, apresentando personagens ou casos semelhantes.
- Complementação: oferece dados complementares que possam auxiliar na apresentação e compreensão do acontecimento (ex: gráficos, estatísticas, históricos, etc).
- Memória: oferece links que remetem ao arquivo de material já disponibilizado sobre o mesmo assunto ou assuntos correlatos.

OBSERVAÇÕES GERAIS:

- Quando falamos em blocos de texto, estamos nos referindo não só a materiais de natureza escrita e sim também a sons e imagens.

- As categorias propostas valem para os diferentes tipos de textos considerados.

- A classificação mapeada não faz com que as categorias sejam excludentes entre si: o mesmo link pode ser enquadrado em ‘rótulos’ diferentes simultaneamente (Mielniczuk, 2003).

EIS O EXERCÍCIO:

Em duplas, vocês vão escolher dois sites jornalísticos da internet para analisar comparativamente, conforme o conhecimento adquirido nos textos acima.

Quero textos grandes sobre as funções hipertextuais dos sites escolhidos, sobre os tipos de links usados e com a comparação entre um e outro.

Não gostaria que vocês escolhessem sites tradicionais para avaliar.

Busquem endereços alternativos.

Valor: 30 pontos.

Forma de entrega: Texto impresso, REGRAS DA ABNT.

Entrega: Próxima aula (06/03/2007).

(VENHAM PREPARADOS PARA APRESENTAR AOS COLEGAS SUAS ANÁLISES).

Tuesday, February 06, 2007

Escrevo, logo existo...

por Débora Yuri, na Revista da Folha de 7/8/2005

"Muito tempo atrás, numa galáxia distante"... Em 5 de agosto de 2001, a Revista anunciava: "Descomplicado, gratuito e totalmente livre, novo tipo de site pessoal é a última febre de quem gosta de escrever e se comunicar na rede. Bem-vindo à cena e boa viagem". Eram os blogs, tímidos, mas já invadindo o cenário.

Quatro anos e 14,4 milhões de blogs depois -segundo estimativa do site americano Technorati (http://www.technorati.com/), que monitora a rede mundial de computadores-, a blogosfera virou um universo à parte, povoado por gente de todo tipo, dos adolescentes incontinentes a políticos, aspirantes a escritor e gozadores em geral; dos (poucos) sujeitos seriíssimos a uma fabulosa coleção de loucos e insensatos que fazem a diversão da rede.

Surgido como diário pessoal, o blog -derivado de "weblog", espécie de "diário na rede"- permite postar textos e imagens sem precisar entender de programação. Mania oriunda dos EUA, nos primórdios era "coisa de adolescente". A febre se alastrou: cerca de 80 mil blogs são criados diariamente, segundo relatório recém-divulgado pela Technorati. Isso significa que um novo blog surge quase a cada segundo. É difícil precisar o número de blogs existentes no Brasil, já que muitos estão hospedados em sistemas do exterior.

O UOL, maior provedor do país, não divulga seu plantel de blogueiros. Os outros dois hospedeiros nacionais mais significativos, IG e Globo.com, reúnem pouco mais de 1 milhão de blogs. No primeiro, são mais de 700 mil cadastrados, 300 mil deles atualizados nos últimos 30 dias (há muitos blogs "mortos" ainda na rede), e algo em torno de meio milhão de visitantes por dia. A Globo.com hospeda atualmente cerca de 310 mil blogs, e os assinantes do portal criam 500 novos blogs diários.

"O brasileiro é um dos escreventes de blog mais ativos da rede", diz a pesquisadora Fabiana Komesu, autora de tese de doutorado sobre blogueiros pelo Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. "Comecei a pesquisa em 2001 e achava que os blogs ficariam restritos a diários pessoais, mas minha hipótese caiu por terra. De lá para cá, eles assumiram outras funções: temos blogs literários, informativos, empresariais." Pedro Doria, colunista de internet da Revista, ressalta o "boom" de blogs políticos.

"Isso já acontece nos EUA, na Inglaterra, no Irã e na China. Estamos vivendo a primeira grande crise política brasileira desde o Collor e o jeito mais fácil de se informar é lendo blogs. Isso é um símbolo muito forte da maturidade do blog", diz.Doria lembra que a diferença entre um blog e um site de informação é a interação permitida pelo primeiro.

"O público sempre quis algo mais informal e pessoal, e no blog existem as conversas. Você cria uma comunidade dentro de cada um. Os de política estão se destacando porque agora todo mundo quer saber disso, mas, se tivéssemos um bom Campeonato Brasileiro, com quatro clubes grandes disputando o título, teríamos uma proliferação de blogs futebolísticos."

Segundo o Ibope/Net Ratings, 55% dos usuários no Brasil são homens; 28% têm até 17 anos, e 40%, de 18 a 34 anos. A escolaridade é alta no meio: 36% têm curso superior ou está cursando, e 13% fizeram pós-graduação.

A internet – do projeto militar à popularização

Por Evaldo Magalhães

A maior rede de comunicação do planeta foi criada em 1969, pelos Estados Unidos, originalmente com propósitos militares. Sob o forte temor de um ataque nuclear, durante a Guerra Fria, no início da década de 1960, o Departamento de Defesa norte-americano iniciou estudos, por meio da Advanced Research Projects Agency (Arpa – Agência de Pesquisa e Projetos Avançados), que culminaram no lançamento da ARPAnet, rede nacional de computadores.

A estratégia do sistema era prover comunicação emergencial, interligando centros tecnológicos e de pesquisa e instalações militares, caso o país sofresse agressões bélicas de outras nações, principalmente da então União Soviética. O projeto teve a liderança de J.C.R. Lieklider e Robert Taylor, pesquisadores da área de computação. Os dois se ocuparam da idéia criar de uma rede que quebrasse o modelo tradicional de pirâmide conhecido até então, possibilitando a todos os pontos da referida rede o mesmo status, de modo que os dados pudessem trafegar em todos os sentidos.

Na primeira fase do projeto, foram interligados ao Departamento de Defesa dos EUA duas universidades – a UCLA, da Califórnia, e a Universidade de Horta – e um instituto de pesquisa, de Stanford, também na Califórnia. Ao meio-dia de 21 de novembro de 1969, foi realizada uma demonstração do funcionamento da rede ARPAnet, estabelecendo contato entre grupos de pesquisadores distantes 450 quilômetros. Desde então, as conexões da rede cresceram em progressão geométrica: de duas dúzias em 1971, chegaram a 200, em 1981, quando o sistema ganhou o nome de internet.

Até meados da década de 1980, embora já com caráter transnacional, a internet se restringia a instituições de ensino e pesquisa, em razão do alto custo dos microcomputadores. Com o barateamento da tecnologia, porém, o acesso cresceu e, no final daquela década, muitos computadores pessoais já estavam conectados, por meio dos Boleiem Board Systems (BBS). Em 1989, o programador Tim Berners-Lee criou o Enquire, um programa que organizava informações na rede, inclusive as que continham links (atalhos de acesso a outros endereços eletrônicos).

Em seguida, o mesmo programador propôs a World Wide Web (Web), a internet gráfica e com as possibilidades multimídia que hoje se conhece, e, em 1993, com a invenção do Mosaic – interface essencial para o ambiente gráfico –, do também programador Mark Andreessen, foram criadas as condições para a definitiva expansão, aumento de qualidade e popularização da rede.

Em relação à diferença conceitual entre internet e Web, sobretudo no que diz respeito ao recurso do hipertexto e aos benefícios que isso trouxe, cabe citar definição de Souza e Alvarenga:


“Surgida no início dos anos 90, a World Wide Web, ou simplesmente Web, é hoje tão popular e ubíqua, que, não raro, no imaginário dos usuários, confunde-se com a própria e balzaquiana Internet – a infra-estrutura de redes, servidores e canais de comunicação que lhe dá sustentação. Se a Internet surgiu como proposta de um sistema distribuído de comunicação entre computadores para possibilitar a troca de informações na época da Guerra Fria, o projeto da Web, ao implantar de forma magistral o conceito de hipertexto imaginado por Ted Nelson & Douglas Engelbart (1962), buscava oferecer interfaces mais amigáveis e intuitivas para a organização e o acesso ao crescente repositório de documentos que se tornava a internet. Entretanto, o enorme crescimento – além das expectativas – do alcance e tamanho desta rede, além da ampliação das possibilidades de utilização, fazem com que seja necessária uma nova filosofia, com suas tecnologias subjacentes, além da ampliação da infra-estrutura tecnológica de comunicação” (Souza e Alvarenga, 2004, p.1).

A partir de 1992, a internet começou a ser instalada em várias universidades brasileiras, mas ainda sem interfaces gráficas, em máquinas com monitores monocromáticos, com telas pretas e caracteres em branco ou verde. Também não havia um protocolo de transmissão de informações na rede que o unificasse o processo, o que veio a acontecer, no ano seguinte, com a chegada do TCP/IP – conjunto de regras que permitiu a comunicação global. Foi somente na década de 1990 que a rede começou a se popularizar no Brasil, com o advento da internet comercial.

O marco foi o ano de 1995, quando uma portaria do Ministério das Comunicações (004/95) permitiu a competição entre pequenos provedores de acesso, já em atividade, e a estatal Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel), que tinha pretensões de monopolizar o serviço. No mesmo ano, foi criado o Comitê Gestor da Internet no Brasil, que passou a gerenciar os domínios “.br”.

Segundo reportagens publicadas pelo jornal Folha de São Paulo em 25 de maio de 1995, considerada como data do aniversário de dez anos da popularização da rede no Brasil, no ano de criação da internet comercial estima-se que havia 20 provedores e 120 mil usuários da rede no País.

No final de 2004, segundo o jornal, citando o instituto Ibope/NetRatings, o número de brasileiros com acesso à internet era 17,9 milhões e o total de provedores, 1.219. Deste total de brasileiros “conectados”, estimava-se, ainda conforme o Ibope/NetRatings, que cerca de 11 milhões eram usuários residenciais e que passavam, em média, em torno de 15 horas diárias ligados à rede, ficando, no mundo, atrás apenas dos japoneses em tempo médio de acesso.

Um dos motivos para esse grande número seria a migração contínua, no País, de usuários de internet por ligações telefônicas para a categoria dos acessos por cabo ou banda larga – 2,26 milhões de residências brasileiras contavam com o serviço no início de 2005, segundo o Ibope/NetRatings, de um total de 5,6 milhões de residências conectadas de uma forma ou de outra.